Amanhã, onde vamos?
Um passeio por Pedorido

Um passeio por Pedorido

“Amanhã, onde vamos?” – perguntou a minha cara metade no passado sábado ainda de manhãzinha. Após algumas pesquisas e uma vez que só poderíamos ir passear depois de almoço sugeri que fossemos até Castelo de Paiva. Levámos, anotado num papelinho, os diversos locais que queríamos visitar, para depois partilharmos convosco aqui, neste nosso cantinho. Queríamos muito visitar pelo menos duas aldeias de xisto (Midões e Gondarém), a Ilha do Castelo e o Miradouro de Catapeixe. Em bom português, saiu-nos tudo furado. Tudo por culpa de uma abelha. Sim, uma abelha. Ao partilharmos a história da abelha estamos, evidentemente, a dar-lhe protagonismo, algo que ela não merece. No entanto, falar do passado domingo sem falar da história da abelha é impossível.

Chegámos a Castelo de Paiva por volta das 15 horas. Parámos, pegámos no papelinho que levávamos, com ajuda do GPS vimos a distância entre os diversos locais e decidimos que o primeiro local a receber a nossa visita seria a aldeia de xisto de Gondarém. Descemos até Gondarém, num percurso que não é propriamente simpático para os automóveis, estacionámos num local com sombra e começámos a nossa caminhada. Vimos muitas casas mas não vimos pessoas na aldeia. Algumas janelas abertas e a presença de alguns automóveis (poucos) fizeram-nos acreditar que ali vivia gente. Contudo, não nos cruzámos com nenhum habitante. Os habitantes devem ser pessoas silenciosas, ao contrário das abelhas que lá estavam nesta tarde. Muitas abelhas. Imensas. Eu faço parte do grupo de pessoas que tem medo de abelhas, não entro em pânico, mas quando as ouço ou vejo aproximarem-se muito de mim começo a fazer uma dança estranha, chamo-lhe a “dança do enxotar da abelha”. Poupar-vos-ei os pormenores desta dança. O que importa é que normalmente resulta, elas fogem. O Dani ia à minha frente quando encontrou um local que achou “brutal” para tirar uma fotografia. Fiquei atrás para não estragar a fotografia e de repente vejo-o a saltar, a dizer desesperado que tinha sido mordido num dedo e … a atirar com toda a sua força a nossa máquina fotográfica. Novinha. Uma Canon, lindinha. Até custa escrever esta parte… a nossa máquina fotográfica novinha, lindinha, que tanto nos custou a comprar e que estava a ser utilizada pela 2ª vez. Repito, estava a ser utilizada pela 2ª vez. Caiu no chão, em cima de pedras, com toda a força de alguém que tinha acabado de ser picado por uma abelha e que estava cheio de dores. Caiu com a lente no chão. Tudo isto é verdade, aconteceu exatamente desta forma mas no momento não me preocupei minimamente com a máquina. Quem me dera que naquele momento a minha preocupação tivesse sido a máquina fotográfica ter caído violentamente no chão. Mas não foi. As dores foram demasiado intensas, o dedo começou a inchar muito rapidamente e eu só conseguia pensar “O Dani está a curar-se de uma leucemia… não sei o que pode acontecer, só sei que temos de sair daqui rapidamente.” Perguntei-lhe se já tinha sido picado alguma vez para tentar perceber se poderia ser alérgico “não sei, não me lembro”. Tentei manter a calma, mas o sentir que estávamos no meio do nada, não ver ninguém para pedir gelo (não sei também que diferença é que isso ia fazer…) não estava a ajudar. Regressámos ao carro. Pedi-lhe que ligasse para o IPO, para o piso onde tantas vezes esteve internado para percebermos o que seria suposto fazermos. Chamada passada ao piso onde esteve internado e atende um conhecido enfermeiro.

– Estou… é o Dani…
– Então Dani, que se passa?
– Ó Enfermeiro, eu fui picado por uma abelha, há algum problema?

Não vale a pena contar toda a conversa. Basicamente, se o Dani sentisse falta de ar ou qualquer outro sintoma estranho tinha de ir rapidamente ao hospital mais perto.
Eu só queria sair daquela aldeia e sentir que tinha pessoas por perto. Pedi-lhe que voltássemos para casa. Após 20 minutos na estrada, percebemos que o inchaço estava lentamente a desaparecer e que não tinham aparecido sintomas estranhos. Parecia estar tudo bem. Ele queria voltar à aldeia. Nem pensar. As abelhas continuavam por lá. Havemos de voltar, um dia. Pedi-lhe que continuássemos a fazer a viagem para casa e se até lá ele continuasse bem pararíamos em Pedorido. E assim foi. Estava tudo bem. O Dani não tinha tido qualquer reação alérgica, portanto, tinha sido apenas uma picada de abelha sem consequências graves. Pode ser picado no nosso próximo passeio que eu já não ficarei tão assustada !!!

Deve estar a pensar “E então a máquina sobreviveu à queda?”. Ainda estou para perceber como é possível a máquina estar a funcionar normalmente. Não consigo compreender. Está aparentemente perfeita. Existirão milagres? Estou com receio de um dia destes ao ligá-la perceber que afinal a queda deixou a sua marca. Contudo, temos seguro! Ainda bem que optámos por fazer seguro. Sinto que ele nos será útil.

Vamos então agora falar de Pedorido!

Já conhecíamos Pedorido, a última vez que lá fomos foi em Fevereiro.

Pedorido é uma freguesia de Castelo de Paiva (distrito de Aveiro) onde desagua o Rio Arda. Em 2013 e no âmbito de uma reforma administrativa nacional, foi agregada às freguesias de Raiva e Paraíso, formando-se assim uma nova freguesia, denominada União das Freguesias de Raiva, Pedorido e Paraíso com a sede em Raiva.

 

Ponte do caminho de ferro de Pedorido

Construída em 1893, pela Empresa Industrial Portuguesa esta ponte de considerável valor patrimonial serviu de passagem às locomotivas que circulavam na linha mineira de caminho de ferro do Couto Mineiro do Pejão. Nesta ponte circulam automóveis e pessoas. A paisagem que se pode contemplar a partir desta ponte é belíssima. É um ponto de paragem “obrigatória”. Não vale a pena por esta ponte passar, sem parar e sentir a paisagem.

 

Esplanada Jardim do Arda

A esplanada do Jardim do Arda é um espaço simpático e acolhedor. Aqui pode fazer uma pausa, saborear alguns petiscos, saciar a sede com uma bebida fresquinha ou comer um gelado. Existem diversas mesas e muitas árvores. A presença de árvores torna este espaço um local fresco, uma mais-valia dos dias de intenso calor.

 

Choupal das Concas

O Rio Arda termina aqui o seu percurso, desaguando do Douro. O Choupal das Concas é um local de recreio e lazer, bastante agradável e propício a convívios com família e/ou amigos. É um local que convida a banhos, à prática de desportos náuticos e também à pesca desportiva. No Verão existem famílias e grupos de amigos que passam aqui o dia, divertindo-se. Ficámos aqui cerca de uma hora, sentados numa toalha, a admirar a paisagem e a escutar os risos das pessoas que aqui estavam, felizes, sem pressas.

Prometemos fazer um novo artigo mais completo sobre Pedorido. Os planos para esta tarde eram outros. A culpa foi da abelha de Gondarém que nos roubou muito do nosso precioso tempo e que nos fez alterar os planos. Abelha malvada, roubou-nos tempo mas não nos roubou a forma como somos felizes a visitar e a explorar seja o for.

*Passeio realizado dia 11 de Junho de 2017.

 

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