Amanhã, onde vamos?
Passadiços do Paiva –  A natureza no seu esplendor

Passadiços do Paiva – A natureza no seu esplendor

Este não foi o primeiro artigo que elaborámos para o blog. No entanto, por vários motivos, o nosso blog tinha de se apresentar ao “mundo” com um artigo sobre os Passadiços do Paiva. Se quiser compreender os motivos e acompanhar-nos neste passeio siga-nos nos próximos parágrafos.

Assim que descobri, em 2015, através da internet esta maravilha que são os Passadiços do Paiva fiquei completamente rendida. Fui fazendo algumas pesquisas de fotos e testemunhos de quem por lá já tinha passado e quando chegou o dia da minha primeira (de muitas) visita aos passadiços estava completamente em êxtase. Durante algumas semanas sonhei com o dia em que seria possível ver pela primeira vez ao vivo e a cores, de corpo e alma este local, o que aconteceu a 8 de Agosto de 2015.

A natureza tem um enorme impacto em mim. Quando visitei pela primeira vez os Passadiços do Paiva senti uma emoção tão grande, mas tão grande que não sou capaz de a traduzir por palavras. Emociono-me quando falo dos Passadiços, alguns poderão achar um exagero mas é a verdade. Apaixonei-me perdidamente por este tesouro. Senti um encanto tão profundo, algo que acho que nunca senti em criança mesmo quando recebia de presente um brinquedo há muito desejado (à exceção, talvez, de um nenuco muito especial que guardo até hoje). Lembro-me de nessa primeira visita aos passadiços haver uma questão que me invadia a cada pormenor que ia descobrindo ao longo do percurso “Como é possível existir um sítio tão belo assim?”. Visitei mais algumas vezes os passadiços e foram sempre dias extremamente felizes, cansativos para o corpo mas leves para a alma.

Nos últimos meses o desejo de percorrer, mais uma vez, os Passadiços do Paiva, com a minha cara-metade, tornou-se um objetivo a alcançar. Objetivo, porque não bastava querermos. Tinha de ser possível. Para quem leu o “Quem somos?” estas últimas palavras já estão certamente a fazer algum sentido, para quem não leu, volto a explicar resumidamente. Há cerca de um ano (Abril de 2016) o meu namorado recebeu a notícia de que tinha Leucemia. A vida levou uma grande reviravolta, os passeios planeados a dois ficaram suspensos e o foco estava na sua cura. Os internamentos no IPO do Porto foram vários, muito deles em isolamento e todos os cuidados eram necessários. Muitas vezes, deitado numa cama do IPO, e por vezes desanimado por quase não conseguir andar nas piores fases (ou conseguir dar alguns passos mas ficar completamente exausto) eu dizia-lhe “Daqui a nada vamos percorrer os Passadiços do Paiva, e tenho a certeza que terminarás o percurso muito menos cansado do que eu”. E assim foi. Tal e qual como eu previa. Cerca de um ano após a descoberta da Leucemia, fomos aos Passadiços do Paiva, fizemos o percurso Areinho- Espiunca, ele fez todo o percurso com um ar bem mais saudável do que eu e foram várias as vezes que me deu a mão e me puxou quando as minhas pernas começavam a falhar.

Já tínhamos decidido ir aos Passadiços do Paiva no mês de Abril, no entanto, contávamos fazer somente o percurso Espiunca-Vau, visto que devido aos incêndios do ano anterior uma parte do restante percurso se encontrava a ser reconstruída. Estávamos a tentar decidir qual o melhor dia para fazermos este passeio quando é divulgada na página oficial de facebook dos Passadiços do Paiva a reabertura dos mesmos, na totalidade, no dia 13 de Abril. Feito. Era um dia importante para os Passadiços do Paiva. Um dia importante para quem lá trabalha. Um dia importante para quem admira esta preciosidade. E seria também um dia extremamente importante para nós. E assim, tínhamos a possibilidade de fazer o percurso completo Areinho – Espiunca. Perfeito!

Vamos então àquilo que realmente importa! Os Passadiços do Paiva localizam-se na margem esquerda do rio Paiva, em Arouca (terra encantadora), distrito de Aveiro. São cerca de 8.700 metros (o dobro se decidir fazer ambos os sentidos), de passagens de madeira mas também com alguns troços em terra batida, com desníveis acentuados e um grau de dificuldade considerável sendo que este último aspeto depende claramente da aptidão física de cada um. Hoje, 14 de Abril, um dia após esta aventura tenho imensas dificuldades em caminhar e estou neste preciso momento a escrever com as pernas esticadas numa cadeira. Mas estou feliz, e hoje quando me viam “mancar” e me perguntavam o que se passava orgulhosamente dizia “Fui ontem aos Passadiços do Paiva e hoje não está fácil.” Não tome como exemplo esta minha experiência, das outras vezes que lá fui não tive tantas dores. Estava numa fase de melhor preparação física, é certo.

O percurso pode ser feito em dois sentidos, Areinho-Espiunca ou Espiunca-Areinho. O percurso mais recomendado para quem pretende fazer o percurso somente num sentido é Areinho-Espiunca. A subida inicial é dura (sobretudo em dias muito quentes), mas digamos que depois tudo parece ficar relativamente mais “fácil”. Há quem defenda que o percurso mais fácil é no sentido Espiunca-Areinho uma vez que o corpo se vai preparando mais lentamente, começando pela parte mais fácil, sofrendo um maior desgaste na parte final, perspetiva que tem alguma lógica também. Quando os passadiços foram inaugurados a entrada era gratuita, contudo agora os bilhetes são apenas gratuitos para crianças com idade inferior a 12 anos. Se comprar os bilhetes através do site oficial dos passadiços o custo será de 1 euro, se comprar no local terá o custo de 2 euros. O aconselhado é efetuar a reserva através da plataforma disponível para o efeito no site dos passadiços. As entradas são limitadas a 3500 pessoas por dia. Deve consultar a página oficial dos Passadiços do Paiva (http://www.passadicosdopaiva.pt/) visto que as informações anteriores poderão sofrer alterações.

Como chegar?

Se a sua opção for iniciar o percurso pelo Areeinho, como no nosso caso, tenha em conta as seguintes indicações:

-Vindo do Norte (via A1): Saída Santa Maria da Feira > São João da Madeira > Vale de Cambra > Arouca > Areinho

Tempo estimado de viagem: 60 minutos

-Vindo do Norte (via A32): Saída Carregosa/Pindelo > Vale de Cambra>Arouca > Areinho

Tempo estimado de viagem: 50 minutos

-Vindo do Sul (via A1): Saída Estarreja>Oliveira de Azeméis>Vale de Cambra > Arouca > Areinho

Tempo estimado de viagem: 60 minutos

-Vindo do Interior (via A25): Saída Porto A1 > Oliveira de Azeméis > Vale de Cambra > Arouca > Areinho

Tempo estimado de viagem: 65 minutos

-Vindo de Cinfães/Castelo de Paiva/Castro Daire: Estrada Nacional 225 > Alvarenga > Areinho

Tempo estimado de viagem: 10 minutos

Podíamos ter estacionado o carro no parque da Praia Fluvial do Areinho, no entanto, decidimos estacionar num parque amplo um pouco mais acima. O estacionamento quer perto da Praia Fluvial do Areinho como da Praia Fluvial de Espiunca é gratuito.

Na Praia Fluvial do Areinho existe um bar com colaboradores muito simpáticos e disponíveis para esclarecer qualquer dúvida que se possa ter. Nesta praia fluvial existem também casas de banho, algo que encontrará novamente na Praia Fluvial do Vau.

Depois de um café, mochila às costas (com muita água, panados, rissóis e mais umas coisinhas) metemos pés ao caminho. Logo no início, houve um pormenor que captou a nossa atenção. A existência de imensas espécies de flores, cheias de cor. A Primavera vaidosa, a exibir o melhor de si.

Os Passadiços do Paiva podem ser feitos durante todo o ano. Tendo em conta a biodiversidade deste local e das mudanças que ocorrem ao longo das quatro estações do ano, o ideal será visitar os passadiços no mínimo quatro vezes, uma vez por cada estação (belo pretexto para não se deixar ficar apenas por uma visita). Assim terá a possibilidade de viver quatro experiências diferentes, únicas.

Só tinha visitado os passadiços em meses de Verão, por isso ontem, a magia da Primavera fez com que visse este local com ainda mais admiração. A questão da Primavera é mera desculpa, todas as vezes que lá for é certo que os meus sentidos procurarão pormenores para reforçar a ideia extremamente positiva que tenho deste pedaço de natureza. Estou agora a pensar que no Outono também deve ser absolutamente encantador devido às cores típicas desta estação.

Parámos diversas vezes para contemplar a paisagem, e na subida inicial para descansar e controlar a respiração.

Mais ou menos a meio do percurso, encontra-se a tão famosa ponte suspensa, construída com cabos de aço e tábuas de madeira, junto à Praia Fluvial do Vau (está prevista a construção de outra ponte suspensa significativamente mais extensa do que esta, será das maiores da Europa, de acordo com o que dizem). A passagem nesta ponte não é obrigatória para a continuidade do percurso mas é sem dúvida um local que as pessoas adoram fotografar e serem fotografadas, sendo por isso mesmo um dos verdadeiros ícones de aventura dos Passadiços do Paiva.

Esta praia fluvial é o local ideal para parar, descansar um pouco e almoçar/lanchar. Existem muitos espaços com sombras que num dia de sol intenso são o melhor que se pode encontrar. Existe aqui também um pequeno bar (que se encontrava encerrado, talvez por ainda não ser uma altura de grande afluência). Aqui existem ainda contentores (tal como nas extremidades) onde poderá colocar o lixo que foi guardando na mochila ao longo dos km´s já percorridos ou o lixo que resultou do seu lanche/almoço. Não vale deitar lixo para o chão. E, acerca deste aspeto, não se pode dizer que as pessoas que visitam os passadiços têm por hábito colocar lixo para o chão. Há sempre alguém que não tem os cuidados necessários. Contudo, tendo em conta o elevado número de visitantes os passadiços encontram-se estimados e limpos (e agora, lembro-me dos terríveis fogos e quase que me dá vontade de escrever acerca disso, mas não, é melhor não o fazer, iria certamente utilizar palavras pouco bonitas e não é isso que se pretende com este artigo).

Adiante!

Na Praia Fluvial do Vau encontrará também casas de banho. Ou seja, esta praia é, para imensas pessoas, um sítio de paragem obrigatória. Ideal para: sentar, comer, colocar o lixo no seu devido sítio, ir à casa de banho e ainda beber um café ou uma bebida fresquinha no bar do Vau. Pode aproveitar e desfrutar das águas da Praia do Vau dando uns mergulhos. E caso não pretenda continuar o percurso pode sair nesta zona e apanhar um táxi. Mas só o faça se de facto estiver profundamente cansado, caso contrário, continue porque vale a pena.

Baterias recarregadas e após colocarmos mais um pouco de protetor solar, continuámos, de forma entusiasmada o percurso. Sabíamos que agora seria mais fácil. Apesar de mais fácil, fizemos esta parte do percurso de forma mais lenta. Apreciámos demoradamente a paisagem e fotografámos bastante. As vistas são de uma beleza indescritível, valendo a pena parar muitas vezes para observar o que está à nossa volta. Quem gosta de borboletas encontrará muitas ao longo do percurso.

Chegamos à terceira praia fluvial, a Praia Fluvial de Espiunca. Aqui também existe um café com várias mesas. Era altura de sentar e comer um gelado. Depois de tanto esforço físico, é mais do que merecido. Neste café/bar encontravam-se à venda uns ímanes engraçados alusivos aos passadiços. Comprámos o que podem ver na foto.

Terminado o percurso dos passadiços não nos apetecia regressar já ao Areinho, decidimos por isso caminhar mais um pouco. A poucos metros do término dos passadiços (do outro lado da ponte) existe mais um bar e um parque de estacionamento em terra que estava cheio, sendo também possível nesta zona descansar ou dar uns mergulhos do rio Paiva. É uma zona com muitas sombras sendo por isso um espaço simpático para fazer piquenique. A música vinda do bar tornava este espaço mais animado.

Para regressarmos ao Areinho, colocamo-nos na fila à espera de um táxi. Existem táxis normais e táxis de 7 lugares. Apareceu um táxi de 7 lugares e dividimos a viagem com mais 4 pessoas que estavam atrás de nós. Cada um de nós pagou 2,75€ (total 16,50€). Se for com amigos podem sempre optar por deixar um carro (ou mais, dependendo do número de pessoas) em cada extremidade. O “nosso” taxista era muito simpático e conversador e percebia-se que estava feliz com o facto de os passadiços terem sido reabertos na sua totalidade, não só porque o sucesso dos passadiços reflete-se no seu trabalho obviamente, mas foi percetível que, independentemente disso, tal como muitos dos visitantes dos passadiços, também ele nutre uma enorme admiração por esta beleza de Arouca.

Terminámos cansados mas felizes, muito, muito felizes. Para o dia de reabertura da totalidade dos passadiços, e sendo um dia da semana (5ªfeira), estavam muitas pessoas. Muitos espanhóis felizes, sorridentes e absolutamente encantados com o que estavam a ver!

Um dia bem passado, sem pressas, com tempo para observar, contemplar, escutar e cheirar a natureza. A paisagem aqui é incrível. A construção deste percurso ao longo da margem esquerda do rio Paiva foi sem dúvida uma ideia genial. Brilhante!

Voltaremos, brevemente a este sítio mágico.

*Caminhada realizada no dia 13 de Abril de 2017.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Back to Top